O que é e o que pode um corpo para a Psicanálise?
Texto produzido por Daniel Pazzini
CRP 04/56979
O corpo pode ser entendido a partir de três diferentes registros conforme Lacan: corpo imaginário, simbólico e Real. Num primeiro nível, muitas vezes aquilo que se entende como o corpo refere-se ao corpo enquanto uma identificação, ou seja, o corpo no campo de uma imagem em que o sujeito se reconhece como sendo o próprio EU, o que consiste. Segundo Freud isso consiste em uma projeção corporal, o corpo imaginário.
Para além da imagem, o corpo é também algo passível de ser representado sendo um corpo simbólico na medida em que serve de morada para o sujeito. É um lugar onde o sujeito habita e que é pode ser representado mesmo antes do sujeito nascer – “Terá os olhos da mãe”. Este corpo, portanto, é simbolizado na medida em que é reflexo do olhar e das palavras do outro, sendo marcado por significantes, que uma vez incorporados darão uma certa consistência simbólica desde as suas primeiras identificações do sujeito até ser coroado por um nome próprio: “Eu sou o Fulano de tal”.
O corpo também é enigmático, cruza fronteiras – é o corpo Real, corpo que por um momento pode surgir como algo radicalmente estranho, não localizável no registro da imagem especu(lar) – introduzindo assim um encontro com o infamiliar, o estranho conforme aponta Freud – “Me tratou como se eu fosse apenas um corpo”
O corpo é também objeto de análise e não se confunde com o (bio)conjunto de células, é também tecido pela alteridade e dela pode se dar conta. Em um outro nível o corpo se agencia com a libido e se liga a outros corpos. Pode ser instrumento que se potencializa nos encontros e que também demarca novos limites para o sujeito que ali habita, limites antes desconhecidos para o seu antigo envelope corporal. O que se remonta e se produz em uma análise é justamente aquilo que funda um corpo e também o que dá corpo ao desejo.
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