Afinal, por quê Maria vai com as outras?
O verbete “Maria vai com as outras”, utilizado para referir-se a alguém influenciável, traz reflexões que podemos relacionar com aspectos particulares e subjetivos mas também com aspectos constitutivos da nossa vida mental.
O eu não existe sem o outro, isto é, precisamos de um outro e de seu cuidado para nascer, existir, crescer e também para simbolizar a nossa experiência no mundo. É o outro que nomeia e insere o sujeito no mundo da linguagem e em todo ordenamento simbólico e social. Este Outro educa, nomeia, reprime e é quem vai responder à questão enigmática colocada ao ser falante, ‘Quem sou eu?’. Ao que o Outro responde “Você é a Maria, uma menina alegre mas muito birrenta…” ou então, “Você é Maria, mesmo nome da mãe de Jesus, o nosso Salvador”.
Diziam que Maria, logo quando nasceu, já era muito parecida com a sua avó. E cresce escutando: “Maria é igualzinha a avó…não gosta de ninguém”. E então temos que Maria se constitui nestes espaço de encontro com o Outro, um sujeito que vai sendo levado pelo inevitável assujeitamento que delimita algumas coordenadas em sua vida. Neste momento está alienada e parece não conseguir se separar deste lugar instituído antes mesmo de Maria nasc(ser). Portanto, nesse aspecto não há dúvidas de que Maria vai com o Outro. Afinal, é o Outro e suas marcas que constituíram este lugar simbólico para Maria no qual o sujeito se identifica. Contudo, uma separação é necessária. E sua identificação com a avó ainda não havia se tornado um saber.
E então Maria é interpelada sobre o que viveu e do que esteve sempre ali, neste lugar em que Maria havia se identificado. Isto que precisava de ser escutado, compreendido, elaborado. E verificamos que o tratamento opera uma travessia que pode demarcar possibilidades inéditas de Maria existir. Pois, é a partir daí que algo novo e peculiar pôde advir. Até que enfim, (A)Maria …
Texto produzido por Daniel Pazzini
CRP 04/56979
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